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O Fabuloso Circo de Pulgas de Claudius II

Claudius segundo é um mendigo maltrapilho e atrapalhado que arma seu circo de pulgas na frente do público. Saltos mortais, trapézio, corda bamba, tiro de canhão e salto em trampolim são alguns dos vários números de virtuose apresentados por sua incrível trupe de pulgas artistas.

O nosso circo de pulgas não utiliza pulgas de verdade. Trata-se de pequenos sistemas magnéticos e pneumáticos que são acionados pelo dono do circo, fazendo com que os trampolins, as bolas de ferro, os trapézio, canhão etc. se mexam ou sejam acionados.   

Dessa forma, as pulgas existem a partir das narrações, dos diálogos, ações e reações do clown em contato com plateia. Para esta proposta de dramaturgia, decidimos não nos limitar à apresentação do número, sua execução (pseudo-execução) e sua conclusão seguida de aplausos. O texto propõe outras miradas além do show e do simples entretenimento. Daí a opção pelo personagem Claudius II como o dono do circo. Diferente de muitos circos de pulgas, nos quais o apresentador se apresenta como o domador ou adestrador das pulgas, Claudius II possui com os insetos uma relação de proximidade e de cumplicidade. Ele é um mendigo e as pulgas são uma espécie de família. Cada uma tem um nome próprio e um nome artístico, possuindo suas respectivas características e idiossincrasias. Stella Butterfly (Etelene) apresenta saltos mortais e é extremamente afoita e acelerada. Mary (Maria) é a equilibrista, vaidosa e ousada. Ronny e Donny (Rodney e Doneílson) são os gêmeos trapezistas que não se entendem e vivem brigando. Peter (Pedro) é o saltador do trampolim mortal e também um bêbado inveterado. Robert the King é o levantador de pesos, extremamente narcisista e, por fim, Harry (Haroldo) é a “bala do canhão”, meio surdo (devido aos sucessivos disparos de sua carreira) e meio tanço.  

 A partir da articulação entre o número apresentado pela pulga, a narração do clown e a relação deste com as pulgas se estabelecem os eixos dramáticos principais da obra. 

O Circo de Pulgas de Claudius II é feito a partir de materiais e objetos achados na rua. Porém, a despeito disso, a configuração do circo e a maneira como ele é apresentado possui certa elegância e certo garbo. Claudius veste seus trapos, mas o arranjo deles e a postura da personagem possuem uma pompa (mesmo que fajuta). 

O dispositivo que move esse personagem/clown é alternância entre o decadente e a elegância, entre o pomposo e o maltrapilho, que gera as situações dramáticas e as gags. Como anuncia a didascália da entrada: 

Eis, então, o fabuloso circo decadente de um elegante mendigo desengonçado.

Ficha Técnica

Criação e Atuação:
Valdo Matos

Dramaturgia:
Igor Nascimento

Adereços:
Equipe Mo Mundo da Lua

Coordenação de produção:
Valdo Matos e Renata Mucci

Realização:
No Mundo da Lua